quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Jacob do bandolim


Jacob do Bandolim

O bairro carioca da Lapa, notório pela vida boêmia de seus moradores, era um bairro onde conviviam diversos tipo de gente na década de 1910. Ali, viviam, em relativa harmonia, boêmios, malandros, prostitutas francesas e polacas (como eram chamadas as mulheres que exerciam esse ofício vindas do Leste da Europa), cafetões e intelectuais.
O compositor Jacob do Bandolim nasceu na rua Joaquim Silva, uma das mais movimentadas do bairro, na Maternidade das Laranjeiras no dia 14 de fevereiro de 1918. Era filho da polonesa Rachel Pick com o farmacêutico capixaba Francisco Gomes Bittencourt, muitos anos mais velho.
Batizado Jacob Pick Bittencourt, o menino foi morar no sobrado de número 97, onde passou a infância e a adolescência. Uma infância solitária da qual sobraram em suas lembranças apenas um velocípede e um cachorro chamado Príncipe. Certamente a mãe, conhecendo o ambiente do bairro preferia mantê-lo isolado. Mas a música furou o bloqueio através do som do violino de um francês, que ficara cego na Primeira Guerra e morava no andar térreo do sobrado. Fascinado pelo som, o menino pediu e ganhou um violino, mas não conseguiu se adaptar ao arco. Começou a pinicar as cordas com um grampo de cabelo e depois de inúmeras cordas partidas uma vizinha julgou que o instrumento mais apropriado para o menino talvez fosse o bandolim.
E assim foi feito. O menino ganhou um bandolim de cuia, tipo napolitano e sozinho foi aprender o instrumento criando um novo estilo de tocar este instrumento. Um dia, vindo de uma festa na vizinhança, Jacob ouviu uma melodia de um choro. Era o clássico” E do que há” e solado por seu autor Luiz Americano. Pegou o bandolim e ficou tentando reproduzir o que ouvia. Desde esse dia até o fim de sua vida, sua fascinação pelo choro só aumentou.
O adolescente ficou obcecado em conseguir um bom resultado com o bandolim e, autodidata, foi conseguindo vencer etapas. Aos quinze anos tocou pela primeira vez numa estação de rádio, era a Hora do Amador Untissal”( antisséptico cicatrizante, antecessor do mertiolate) da Rádio Guanabara. Com o grupo do Sereno, uns amigos também iniciantes tocou o choro “Aguenta Calunga” do flautista paulista Atílio Grani. O resultado não entusiasmou a Jacob que preferiu continuar estudando.
Após acompanhar fadistas e guitarristas portugueses com o violão durante algum tempo, Jacob iniciou de fato sua carreira de solista ao ganhar o concurso do “Programa dos Novos” na mesma Rádio Guanabara algum tempo depois. Para o concurso organizou o conjunto Jacob e Sua Gente, que era composto por Valério Farias, o Roxinho e Osmar Menezes nos violões, Carlos Gil no cavaquinho, Manuel Gil no pandeiro e Natalino Gil na percussão. O conjunto começou a atuar em diversas rádios e chegou a substituir o regional de Benedito Lacerda, o de maior renome na época., no acompanhamento de cantores.
E assim o grupo ia percorrendo as rádios e ganhando dinheiro

Amizade

Em 1939, na Rádio Ipanema, que ficava no Posto Seis em Copacabana, Jacob conheceu um rapaz violonista que servia ao Exército no Forte ali perto e que se tornaria seu mais valioso auxiliar pela vida inteira. Tratava-se de Benedito César Ramos de Faria que mais tarde teria a felicidade de ver seu filho Paulo consagrado na carreira artística com o nome artístico de Paulinho da Viola.

Casamento

Em 1940 no dia 11 de maio Jacob casou-se com Adylia Ferreira moça de família de classe média próspera e teve que assumir um compromisso para que o pai da noiva aceitasse o enlace. Prometeu e cumpriu não depender de música para os sustento do casal. E a família cresceu rápido. Em 1941 nasceu o filho Sérgio e no ano seguinte a filha Elena.

Emprego

Em 1943, Jacob se afastou do trabalho em rádios para se preparar e prestar um concurso público. Aprovado, foi nomeado escrevente juramentado da justiça, profissão que exerceu até sua aposentadoria. Não se pode precisar se em função da agilidade dos dedos ou pela prática da função de escrevente, Jacob se tornou um virtuose da máquina de escrever, capaz inclusive de conversar ou solfejar uma música enquanto batia um texto.
Por insistência de Adyla voltou ao rádio em 1945, passando a atuar na Rádio Mauá com um grupo novo que trazia a base do conjunto com que finalmente chegaria ao disco na Continental dois anos depois.
No começo da década de 1940, Jacob gravou com o grande compositor Ataulfo Alves alguns sambas que tiveram muito sucesso como o clássico “ Ai que saudade de Amélia”. Também gravou quatro discos contendo música de Ernesto Nazareth. Trata-se de adaptações perfeitas de músicas muito bem escritas para piano e transcritas para bandolim e conjunto regional.

Opiniões Polêmicas

Jacob do Bandolim possuía uma personalidade muito forte e contraditória. Não tinha pudor em emitir suas opiniões polêmicas doesse a quem doesse.
È muito conhecida a sua implicância com a música e a pessoa de Waldir Azevedo.
Em 1953, Jacob deu uma entrevista para o jornal” O Tempo de São Paulo” na qual previu que o choro duraria no máximo dez anos. Depois deste tempo confirmou esta afirmação sobre o acerto de sua previsão.; E não está morto? Mas em outra ocasião esquecendo do atestado de óbito pré-datado que ele mesmo assinara declarou: “Não deixarei que façam com o choro o que fizeram com o samba”
Na contracapa de seu LP “ Na roda do choro” definiu o chorão de forma bem fantasiosa:”É em princípio um improvisador, passa a vida planejando ensaios que nunca realiza porque indisciplinado, rebelde, os transforma em memoráveis reuniões onde prefere mostrar seu talento emotividade e capacidade improvisadora. Não faz questão de ser renumerado, mas não dispensa onde toca um bom prato ou um gostoso trago ou ambos ao mesmo tempo. Prefere o sereno ao abrigo até mulher nessas reuniões é para o chorão apenas um incidente” Para quem não bebia e ensaiava seu grupo com mão de ferro essa definição de chorão é até irônica.
Atacava os músicos da velha guarda, como Donga, Mas atacava também Baden Powell e Rosinha de Valença. Não poupava nem mesmo Edu Lobo do qual só achava bom Canto Triste.
Criticava ferozmente a bossa nova que considerava uma tentativa de imitação do jazz que eliminava as mais autênticas inflexões da música brasileira opinião que refletia sua definição do povo brasileiro como um povo simples, conservador e que não dispensava um chinelo velho e a sombra de uma mangueira.

O Bandolim

Jacob deu personalidade própria ao bandolim brasileiro no que tange a forma de tocar. Ao contrário do que já foi publicado o formato do instrumento que usava não é resultado de suas pesquisas. Jacob tocava um bandolim feito por um português, de acordo com a tradição lusitana do instrumento, uma espécie de cruzamento de bandolim napolitano com guitarra portuguesa.
E por falar em heranças lusitanas, o fraseado de Jacob sofreu influência dos executantes de guitarra portuguesa. Foi certamente a partir daí que ele extraiu os ornamentos que usou com tanta propriedade em suas interpretações. Quando perguntado o porquê de seu bandolim ter um som tão diferente do usual ele respondia sem falsa modéstia; “ O som do bandolim não é diferente o que é diferente sou eu “
Naquela Mesa
O filho de Jacob Sérgio Bittencourt autor da canção” Modinha” fez uma emocionante homenagem ao pai depois do falecimento de Jacob. Trata-se da música Naquela mesa famosa na voz da Divina Elizeth Cardoso.
A letra é a seguinte :

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre
O que é viver melhor
Naquele mesa ele contava histórias
Que hoje na memória
Eu guardo e sei de cor
Naquele mesa ele juntava gente
E contava contente
O que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa um canto
Uma casa e um jardim
Se eu soubesse quanto doí a vida
Essa dor tão doída
Não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala
Do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele
Tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele
Tá doendo em mim
Morte

Em 13 de agosto de 1969, voltando da casa de seu ídolo Pixinguinha Jacob teve o segundo e fatal enfarte. O primeiro havia sido no palco do Teatro Casa Grande depois de uma ovação de universitários por sua interpretação de Lamentos .O segundo foi fulminante e foi uma grande perda para o bandolim brasileiro.







quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Vinícius de Moraes


Vinícius de Moraes

Pela Luz dos Olhos Teus (Vinícius de Moraes)

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é, meu Deus
Que frio que me dá
O encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus
Só para me provocar
Meu amor, juro por Deus
Me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz do olhos meus
Na luz dos olhos teus
Já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus
Sem mais laruriá
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor
E só se pode achar
Que a luz dos olhos meus
Precisa se casar.

Vida

O famoso compositor, dramaturgo, jornalista, poeta e cantor Vinícius de Moraes cujo nome completo era Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913. Nasceu no bairro da Gávea e era filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da Prefeitura, poeta e violonista amador e Lídia Cruz, pianista amadora. Vinícius foi o segundo de quatro filhos formado pelos irmãos Lígia (1911), Laetitia (1916) e Helius ( 1918). Mudou-se com a família para o bairro do Botafogo em 1916, onde iniciou o seus estudos na Escola Primária Afrânio Peixoto.
Vinícius de Moraes ingressou em 1924 no Colégio Santo Inácio de padres jesuítas onde passou a cantar no coral e começou a montar pequenas peças de teatro. Três anos mais tarde tornou-se amigo dos irmãos Haroldo e Paulo Tapajós com quem começou a fazer suas primeiras composições e se apresentar em festa de amigos. Em 1929, concluiu o ginásio e no ano seguinte ingressou na Faculdade de Direito do Catete, hoje Faculdade Nacional de Direito. Na chamada Faculdade do Catete conheceu e tornou-se amigo do romancista Otávio de Faria, que o incentivou na vocação literária. Vinícius de Moraes graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em 1933.
Três anos depois obteve o emprego de censor cinematográfico junto ao Ministério de Educação e Saúde. Dois a anos mais tarde, Vinícius de Moraes ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford, Em 1941, retornou ao Brasil empregando-se como crítico de cinema do jornal A Manhã. Tornou-se também colaborador da revista Clima e empregou-se no Instituto dos Bancários.
No ano seguinte foi reprovado em seu primeiro concurso para o Ministério da Relações Exteriores. Em 1943, concorreu novamente e desta vez foi aprovado. Em 1946, assumiu o primeiro posto diplomático como vice-cônsul em Los Angeles. Com a morte do pai em 1950, Vinícius de Moraes retornou ao Brasil Nos anos 1950, Vinícius atuou no campo diplomático em Paris e Roma.


Íntimo das Musas

Foram nove casamentos. O poeta casou-se com Beatriz Azevedo de Melo conhecida como Tati de Moraes, Regina Pederneiras, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nelita de Abreu, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues Santamaria ( A Martita) e Gilda de Queiros Matoso.

A Primeira Música

A primeira música de Vinícius de Moraes foi o fox trote Loura ou Morena feito em parceira com Paulo e Haroldo Tapajós.. Seu primeiro livro de poemas O caminho para a Distância entretanto só seria publicado em 1933.


Parceiros

Os parceiros de Vinícius foram inúmeros. Foi Tom Jobim, com quem compôs “ Chega de Saudade” , “ Se Todos Fosse Iguais a Você”, “ A Felicidade “ “ Brigas Nunca Mais, “ Eu Sei que Vou te Amar”.

A Felicidade ( Antônio Carlos Jobim _ Vinícius de Moraes)

Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei de pirata ou jardineira
Para tudo se acabar na quarta-feira
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo , por favor
Pra que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor
Tristeza não tem fim
Felicidade sim

“Felicidade” foi uma música feita para a versão cinematográfica da peça Orfeu Da Conceição feita por Vinícius e Tom Jobim. O filme foi dirigido pelo diretor francês Marcel Camus.

Os Parceiros

Além de Tom poeta foi parceiro de Paulo e Antônio Tapajós, Antônio Maria, Adoniran Barbosa, Carlos Lyra, Pixinguinha, Ary Barroso, Moacir Santos, Paulinho Nogueira, Francis Hime, Capiba, Edu Lobo, Edino Krieger, Claudio Santoro, Paulo Soledade, Chico Buarque, Carlinhos Vergueiro Toquinho e parcerias póstuma com Garoto e Ernesto Nazareth. Isso sem falar na poderosa parceria com o compositor e violonista Badem Powell que gerou os famosos afro-sambas, sambas com influência das religiões africanas tais como “ Berimbau” e Canto de Ossanha”.


Garota de Ipanema
Vinícius teve a felicidade de compor aquela que se tornou a música mais popular da música popular brasileira Garota de Ipanema. Inspirada na então estudante Heloisa Eneida Menezes Paes Pinto,o versionista norte- americano Norman Gimbel achava que o nome do bairro da zona sul carioca era exótico demais para título de música. Havia até o receio de fazer confusão com “ Ipana” marca de um dentifrício local.
A letra é a seguinte :

Garota de Ipanema ( Tom Jobim- Vinícius de Moraes)

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
No doce balanço, caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar
Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo por causa do amor.


Posições Políticas

O poeta, por causa de sua simpatia com ideias de esquerda, foi exonerado de seu cargo pelo Ato Institucional N 5 no período do regime militar.

Morte

Na madrugada de 9 de julho de 1980, Vinícius de Moraes começou a se sentir mal na banheira da casa onde morava na Gávea, vindo a morrer pouco depois.
Vinícius de Moraes 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Pixinguinha


Pixinguinha

O famoso compositor de musica popular brasileira conhecido como Pixinguinha na verdade se chamava Alfredo Da Rocha Viana Filho. Sua certidão de nascimento tinha uma falha; Pixinguinha só foi descobrir que nascera em 23 de abril de 1897 e não um ano depois como ele e muitos acreditavam quando já havia completado 70 anos de idade.
A mãe do compositor se chamava Raimunda e casou-se duas vezes. Teve quatro filhos no primeiro casamento. Da segunda união, com Alfredo da Rocha Viana vieram mais nove filhos incluindo o caçula Alfredo Filho. Na infância era chamado de Pinzindim por toda a família. Teria recebido esse apelido de sua avó Edwirges nascida na África. Só anos depois foi informado que Pizindim significava “menino bom” em algum dialeto africano.. Já o apelido Pixinguinha surgiu mais tarde decorrente das marcas deixadas em seu corpo pela varíola (popularmente conhecido como bexiga) que contraíra em uma epidemia. Na adolescência também era conhecido pelo apelido de Carne Assada um de seus pratos favoritos.
O pai Alfredo que tinha um emprego na Repartição Geral dos Telégrafos tocava flauta nas horas de folga. Muito aquém do flautista virtuose que seu filho se tornou era apenas um musico amador que tocava por paixão mas até chegou a compor uma valsa intitulada “ Tristezas Não Pagam Dívidas”. Sua numerosa família por sinal era bastante musical. Quase todos tocavam algum instrumento ou ao menos cantavam. Os irmãos Henrique e Leo que também tocavam violão foram os responsáveis por ensinar ao caçula os primeiros rudimentos no cavaquinho.
Pai da nacionalidade brasileira Pixinguinha também exerceu a função de regente onde deixou contribuições essenciais para a musica brasileira. Sua experiência como líder teve início com o lendário grupo Oito Batutas ainda no final dos anos 10. Seguiu com as orquestras Pixinguinha-Donga e a Diabos no Céu na década de 1930 até a criação do conjunto Velha Guarda já nos anos 50. Modesto , Pixinguinha gostava de dizer que não gostava de mandar nos companheiros. Comandava-os com discrição e modéstia
Foi também arranjador. Um dos pioneiros na arte do arranjo musical em nosso país, Pixinguinha dedicou-se a buscar uma linguagem de orquestra tipicamente brasileira. Esta atitude foi alvo de críticas por parte dos nacionalistas mais ortodoxos que acusavam os arranjos de Pixinguinha de sofrer demasiada influência norte- americana.

O Choro

Pixinguinha foi considerado um dos mestres do gênero musical tipicamente brasileiro conhecido como choro.
Como gênero musical, o choro só assumiu uma forma mais definida no início do século XX.. Sua origem, no entanto vem de meados do século anterior, época em que as danças de salão europeias como a polca, o schottish, a valsa e o minueto começavam a ser praticada em nosso pais.
Inicialmente o que se definia como choro era uma maneira mais “ chorosa” mais emotiva de interpretar uma melodia- daí o termo chorão aplicado aos músicos que tocavam desse modo.
Em termos musicais como a polca europeia que lhe serviu de matriz inicial, o choro é composto por três partes que seguem a forma clássica do rondó ( na execução sempre se retorna a primeira parte da composição depois de passar por cada uma das outras. Choros mais modernos já adotam um estrutura de apenas duas partes.
A exemplo de outros gêneros musicais afro- americanos como o samba e o jazz a origem do termo choro é polêmica. Segundo estudiosos o termo viria de “xolo” uma espécie de reunião dançante frequentada pelos escravos nas fazendas onde trabalhavam. Para outros pesquisadores o termo choro teria ligação com uma corporação musical muito atuante no período colonial: a dos choromeleiros. Embora tocassem outros instrumentos esses músicos ficaram conhecidos por suas charamelas, instrumentos de sopro que antecederam as atuais palhetas ( clarinetes, oboés e fagotes )
Segundo outros especialistas em música popular brasileira o termo choro é decorrente da sensação de melancolia transmitida pelas baixarias do violão ( estilo de acompanhamento típico do choro concentrado na região mais grave do instrumento).Já o músico Henrique Cazes é favorável á tese de que o choro é uma derivação da maneira mais sentimental de tocar as danças vindas da Europa, o que resultou num abrasileiramento destes ritmos.

Carinhoso
Em 1928, Pixinguinha gravou o famoso choro Carinhoso. Esta composição hoje considerada um clássico da música popular brasileira foi atacada na época em que foi publicada por um crítico de música chamado Cruz Cordeiro que acusou o compositor de ter feito uma música influenciada pelo jazz, pela música norte- americana.
O compositor em alguma medida já havia previsto que sua música iria causar polêmica ou mesmo rejeição. Composto apenas por duas partes, ele rompia com o padrão de três partes estabelecido até então nesse gênero musical. Por essa razão Pixinguinha manteve a composição na gaveta durante alguns anos até se decidir a gravá-la.
Antes de ganhar os versos que hoje são tão conhecidos, Carinhoso ainda foi gravado em duas versões instrumentais; em 1929 pela Orquestra Victor Brasileira comandada pelo próprio Pixinguinha e em 1934 pelo bandolinista Luperce Miranda. Mas foi só depois de ser letrado por Braguinha( conhecido na época como João de Barro) a pedido da cantora Heloísa Helena que esse choro parece ter recebido o empurrão que faltava para conquistar o grande público. Tornou-se uma das canções mais populares da história da música popular brasileira, já gravada centenas de vezes.
A letra poética e singela é a seguinte:

Carinhoso ( João de Barro- Pixinguinha)

Meu coração
Não sei por quê
Bate feliz, quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim, foges de mim
Ah ! Se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E o muito muito que eu te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim
Vem, vem, vem. vem
Vem sentir o calor
Dos lábios meus
Á procura dos teus
Vem matar esta paixão
Que me devora o coração
E só assim então
Serei feliz, bem feliz.

Os Oito Batutas

Pixinguinha pertenceu a um grupo de oito músicos conhecido com os Oito Batutas. Este grupo excursionou ,patrocinado pelo milionário Arnaldo Guinle em 1919 por Minas Gerais e São Paulo;em 1921 foram a Bahia e Pernambuco.
Em 1922 o grupo embarcou a para Paris para uma inusitada temporada no cabaré Scherazade.
A imprensa brasileira superestimou fato dividindo-se em duas correntes: uma a do ufanismo ingênuo dos que viam os europeus se dobrarem diante de um grupo musical brasileiro e outra as do críticos preconceituosos e esnobes que viam com preocupação um grupo de musica popular se destacar na Europa o que contrariava os interesses da elite nacional.

Vício

Pixinguinha também foi vítima do alcoolismo. Chegou a gastar todo o seu ordenado em bebida. Isto dificultou muto sua vida pois não podia pagar as prestações da casa em que vivia com sua mulher Beti.

Outras Músicas Compostas por Pixinguinha

- Vou Vivendo ( Pixinguinha)
- Um a Zero ( Pixinguinha- Benedito Lacerda)
- Os Oito Batutas ( Pixinguinha)
- Sofres Porque Queres ( Pixinguinha- Benedito Lacerda)
- Lamentos ( Pixinguinha- Vinícius de Moraes)
- Yaô ( Pixinguinha- Gastão Viana)
- Naquele Tempo ( Pixinguinha- Benedito Lacerda)
- Rosa ( Pixinguinha – Otávio de Souza)

Morte
O compositor morreu tranquilamente durante o batizado de um afilhado na Igreja de Nossa Senhora de Paz, no Rio em 17 de fevereiro de 1973.









segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Dolores Duran


Dolores Duran

A Noite de Meu Bem (Dolores Duran)

Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero paz de criança dormindo
E abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite de meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
Quero ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem
Ah! eu quero o amor, o amor mais profundo
Eu quero toda beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem
Quero alegria de um barco voltando
Quero ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite de meu bem
Ah! como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda a pureza que eu quero lhe dar

Vida

A cantora e compositora Dolores Duran cujo nome verdadeiro era Adileia Silva da Rocha nasceu em 7 de junho de 1930. Era a terceira de quatro filhos do sargento da Marinha Armindo José da Rocha e da dona de casa Josefa Silva da Rocha. Nasceu no Bairro da Saúde, no Centro do Rio de Janeiro. Mas a família se transferiu para vários endereços desde dos subúrbios de Irajá e Pilares ao Largo de Campinho e até Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Teve uma vida pobre de muitas dificuldades e pouco dinheiro. Cursou o primário, não chegando a concluir o ginásio. Aprendeu muita coisa sozinha pois era de natureza muito perspicaz e esperta. Sem dúvida foi menina-prodígio pois desde garotinha já cantava em festas de reisado e ia vestida de anjinho em procissões. A mãe tinha boa voz mas não quis seguir carreira.
Dolores não teve receio para encarar um mal-humorado Ary Barroso no programa dominical dirigido pelo famoso compositor de Ubá, Minas Gerais. O programa chamava-se Calouros em Desfile e era exibido na Rádio Tupi. Cantou o bolero “ Vereda Tropical” uma audácia de sua pessoa pois Ary era ultranacionalista e não era muito dado a estrangeirismos. Mas apesar disso ganhou a nota máxima no programa.
Depois foi tentar a sorte na Escada de Jacó outro famoso programa de calouros apresentado por Zé Bacurau. Foi tao bem que passou a integrar a caravana de cantores do programa cantando todos os domingos em shows de bairro, entre cinema teatros e circos, com o devido aval da família, Um caso singular pois naquele tempo a carreira de cantora era muito malvista como carreira para moças de boa família. Antes de se profissionalizar ainda adolescente conseguiu atuar como radioatriz na Rádio Tupi no programa de histórias infantis Teatro da Tia Chiquinha. Também passou muitas manhãs de domingo ao lado de iniciantes como Gerdal dos Santos e Natálhia Timberg no Teatro Carlos Gomes em peças infantis do diretor Olavo de Barros tais como “Aladim e Lâmpada Maravilhosa”, “Mãe d´Água”, “O Gaúcho” e “O Príncipe de Limo Verde.” Era um sacrifício para a família pois nesse tempo morava em Duque de Caxias e só havia o trem como transporte até o Centro do Rio. Mas a família sempre incentivou a vocação da menina.
Dolores tinha grande facilidade em aprender idiomas. Aprendeu a dominar o inglês, francês, alemão, espanhol, italiano e até esperanto.

Características da Personalidade

Dolores tinha uma personalidade inquieta e era de personalidade muito forte e muito dona de si. Teve vários casos afetivos. Era de fato uma mulher á frente do seu tempo. Na vida pessoal e na vida artística. Foi menina-prodígio pois demonstrou talento artístico desde muito cedo. Mais crescida foi morar sozinha antes mesmo de se casar. Encarou os auditórios das rádios e boates ainda mocinha e namorou com quem bem entendeu e teve um comportamento sexual muito avançado para a época sem se preocupar com o protocolo reservado obrigatoriamente as mocinhas da época. Era mulata e enfrentou o preconceito. A respeito de deste fato sofreu uma ação preconceituosa muito forte por parte de uma pessoa. Na época estava namorando o compositor Billy Branco que testemunhou o fato e escreveu uma música cheia de significado:

A Banca do Distinto (Billy Branco )

Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Para que tanta pose doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega doutor
E acaba esta banca
A vaidade é assim põe o bobo no alto
E depois retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde acaba no chão
Mais alto o coqueiro maior é o tombo
do coco afinal
Todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra por cima e na horizontal.

Ainda sobre a questão da cor da pele ocorreu uma postura singular da cantora que contribuiu para entendermos sua personalidade e como isso influenciou em sua carreira. Adileia fez aulas de música e canto no subúrbio de Brás de Pina com a professora Mercedes Malagutti. Mas não teve paciência para seguir no canto lírico nem quis ser cantora lírica. Sua frase: “ A gente não vê preto em ópera isso não dá futuro”.

Era simpatizante do Socialismo numa época em que poucos no Brasil conheciam este sistema ideológico. Não era de se curvar a homem nenhum tanto que seu casamento durou pouco mais de dois anos. E num país em que o divórcio era proibido. Foi uma das primeiras compositoras e letristas brasileiras e uma das pioneiras cantoras de impostação moderna um estilo de cantar coloquial sem os exageros do bel canto. Contudo não era contida. Tinha bom alcance vocal.


Letrista

Dolores virou letrista e compositora nos três último ano de sua vida.
A letrista passou a ser levada mais a sério de fato quando, ao ouvir Tom Jobim tocando “Por causa de você” num piano, no estúdio da Rádio Nacional achou linda a melodia pegou um lápis de sobrancelha e começou a rascunhar num guardanapo a letra que lhe vinha a mente. Vinícius de Moraes que já havia feito uma letra para aquela melodia ao ler o poema de Dolores optou por rasgá-la .Achou a de Dolores melhor. Dai o para frente foram não só letras mas também músicas cada vez mais bonitas e de forte apelo popular.
Entre suas músicas há a famosíssima A Noite de Meu Bem, feita para um dos seus muito namorados Nonato Pinheiro “ Solidão”,a igualmente famosa “Fim de caso”. Também assinou o mega clássico Estrada do Sol em parceria com Tom Jobim. Ainda compôs O Negócio é Amar outro clássico “ Castigo” a já citada Por causa de Você” , “Leva-me Contigo”, “Arrependimento”, “ “Ternura Antiga” e “Ideias Erradas” e muitas outras em apenas quatro anos sendo quinze destas músicas clássicos do nosso cancioneiro. E quase não teve tempo para gravar suas próprias canções (gravou sete delas em vida).
Seus parceiros eram além de Tom Jobim, o empresário Fernando César, o publicitário Edson Borges (cujo apelido era Passarinho), o pianista J. Ribamar, Edson França conhecido como Edinho (da primeira formação só Trio Irakitan) e postumamente também Carlos Lyra Billy Branco, Lúcio Alves e Oscar Castro Neves além do comediante Chico Anísio.
A maioria das letras que ela compunha era triste. Com isso podemos indagar: o estado de espírito das músicas correspondia a personalidade da cantora ?
A maioria das pessoas que conviveram com ela testemunham que ela tinha uma personalidade diferente do estado de espírito de suas músicas. Era uma pessoa alegre e brincalhona mas muito observavam também uma pessoa um tanto introspectiva e angustiada. Em termo de conteúdo suas letras rezavam a cartilha da mulher dos anos 50. Em geral ela relevava as falhas do ser amado e se colocava numa postura submissa ao homem com direito a arrependimentos típicos dos corações atormentados da Era do Samba- Canção. Por outro lado eram letras muito bem escritas, num tom coloquial que faz com que nenhuma palavra fique ultrapassada mesmo já tendo se passado cinco décadas. E se pusermos as canções fora do contexto da época veremos que elas podem ser cantadas hoje sem que fique evidenciado nenhum machismo implícito ou dramalhão excessivo.

A Filha

Pouco antes da morte de Dolores, uma recém-nascida negra órfã foi parar nas mãos de sua empregada e esta não sabia o que fazer com a criança. Dolores decidiu adotar a menina que hoje é sua herdeira e chama-se Maria Fernanda Virgínia da Rocha Macedo.

Morte

Desde pequena Dolores apresentava problemas cardíacos. Com oito anos lhe foi diagnosticado uma febre reumática doença que comprometia o coração a longo prazo. A cantora desmaiava com facilidade sentia taquicardia e dores no peito
Os médicos haviam lhe alertado que ela não teria vida longa e que para prolongá-la ela teria que ter uma vida mais regrada. Não podia beber, nem fumar e também não trocar o dia pela noite prescrições que a cantora se recusou a cumprir. Ela adorava uísque, fumava três maços de cigarro por dia e chegava em casa todo dia ao amanhecer. Preferia viver menos e mais intensamente do que se privar das coisas que mais gostava na vida.
Dolores Duran morreu dormindo no dia 24 de outubro de 1959 com apenas 29 anos de idade. Ao chegar em seu apartamento como sempre depois de mais uma noite vivida intensamente, ao amanhecer, apenas brincou com a empregada: “Não me acorde, estou cansada. Quero dormir até morrer.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Elizeth Cardoso


Elizeth Cardoso

Vida
A cantora Elizeth Cardoso, cujo nome completo era Elizeth Moreira Cardoso e que recebeu de um crítico o apelido de A Divina nasceu no dia 16 de julho de 1920 no Rio de Janeiro. Era filha de Dona Moreninha, uma morena baiana que adorava cantar e de Jaime Moreira um mulato de 1m 90, fiscal da prefeitura, violonista amador e seresteiro nas horas vagas. Viveu a infância entre Méier e Engenho de Dentro mas a família acabou fixando residência por um bom tempo na Praça Onze, berço do samba.
Neste ambiente, não seria difícil que a pequena Elizeth com apenas seis anos em abril de 1926 já estreasse como cantora o que se deu no palco da famosa Kananga do Japão uma das muitas sociedades dedicadas a dança e ao carnaval instalada na Praça Onze e seus arredores.
Dali Elizeth mudou-se para Jacarepaguá onde brincava de entoar cantigas de roda e apreciava todo tipo de músicas domésticas com os parentes e a vizinhança. Elizeth ainda na adolescência adorava as canções do repertório do cantor Vicente Celestino soltando a voz muito comportada num cirquinho improvisado nos arredores de sua casa.
Aos dez anos de idade Elizeth teve que sair da escola quando ainda cursava o terceiro ano primário para trabalhar se aventurando em todo tipo de emprego. Começou numa charutaria, passou a uma bomboniere, á Oficina de Peleteria Francesa ao cargo de telefonista nas Caixas Registradoras Nacional, à prensa e a seção de embalagens da fábrica de sapóleos Rex e finalmente no Salão Catumbi onde sua especialidade era esticar cabelo com aplicação de brilhantina da marca Parisiense. Seria também pedicure no mesmo salão.
Elizeth , como já foi visto teve uma origem muito humilde como suas colegas de profissão Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Carmem Costa, Dolores Duran ou Emilinha Borba mas ao contrário delas foi a que mais demorou a atingir o sucesso via rádio, TV e disco.
E ela começou imitando o registro de três cantoras de registros completamente diferente: Araci de Almeida, Odete Amaral e Marília Batista. No início, segundo a cantora, vale tudo.
Já morando numa casa de cômodos na Rua do Resende conheceu o exigente Jacob do Bandolim. Ela tinha dezesseis anos. Ele dezoito anos. Após ouvi-la cantar o compositor pensou em levá-la para a Radio Clube do Brasil. Mas surgiu um problema. Em princípio a família e principalmente o pai não apoiou sua ideia de ser artista porque segundo o pai o meio artístico não era lugar para moças de boa família. Mas já em novo endereço passou a frequentar a cada do bandolinista que a usava como intérprete das músicas que ele fazia sozinho ou em parceria com Luiz Bittencourt.
Rompendo por fim o bloqueio paterno em 18 de agosto de 1936 Elizeth começou cantando no Programa Suburbano um dos principais da Radio Guanabara. Passou a fazer aparições esporádicas em vários programas das Rádios Transmissora e Marynk Veiga mas a verdade é que não podia ser uma cantora do rádio mas por sua beleza, elegância e animação aos 17 anos já foi musa num desfile de carnaval no bloco Turunas de Monte Alegre.

Amores, Escolhas e Sucesso

Durante uma excursão com uma companhia teatral em Belo Horizonte conheceu e começou a namorar Ari Valdez, o Tatuzinho, comediante e tocador de cavaquinho. Seguiram para Belém quando decidiram se casar. Mas o comediante traiu a parceira de todas a maneiras tanto que após algum tempo ela exigiu a separação.
Elizeth foi então, já grávida trabalhar no famoso Dancing Avenida no qual cada dançarina possuía um cartão que era marcado conforme o tempo que dançava com cada cavalheiro. Depois de uma breve e infeliz carreira de táxi girl já com um filho a tiracolo passou a crooner no mesmo Dancing.
A cantora já começava a conquistar uma legião de admiradores e não tardou em cantar em diversos outros dancings de então no Rio e até em São Paulo.
Passaram-se dez anos quando em 1948 durante uma temporada no Dancing Belas Artes conheceu o compositor, radialista e jornalista Evaldo Ruy, que além de ter tido um caso com ela atuou como um verdadeiro padrinho musical orientando-a na postura de palco a mexer direito os braços e levou-a a Rádio Mauá. Ele teve sucesso. Em breve a cantora já era levada de volta aos microfones da emissora onde deu os primeiros agudos a Rádio Guanabara que a contratou por dois anos.
Finalmente aos trinta anos de idade por intermédio de Ataulfo Alves conseguiu gravar seu primeiro disco de 78 rotações na recém- criada gravadora Star. Mas não foi desta vez que começou sua carreira com sucesso pois o disco foi recolhido por problemas técnicos. Pouco depois o compositor, cantor e divulgador Erasmo Silva ouviu-a cantando no Dancing Avenida e achou-a uma excelente candidata a figurar no elenco da Todamérica que já atuava como editora musical mas ia abrir um selo.
Ganhou um belo samba-canção de dois colegas da Rádio Guanabara, Chocolate e o operador técnico Elano de Paula irmão do famoso comediante Chico Anísio. Era Canção do Amor

Canção do Amor

Saudade torrente de paixão
Emoção diferente
Que aniquila a vida da gente
Uma dor que não sei de onde vem
Deixaste meu coração vazio
Deixaste a saudade
Ao desprezares aquela amizade
Que nasceu ao chamar-te meu bem
Nas cinzas do meu sonho
Um hino então componho
Sofrendo a desilusão
Que me invade
Canção de amor, saudade!
Saudade

Embora chegando as lojas perto do carnaval bastou que esta canção romântica fosse tocada algumas vezes para que fosse notada por ninguém menos que a maior patente do Rádio, Almirante que a convidou para integrar o cast da Rádio Tupi. Elizeth custou a acreditar que estava recebendo chance tão grande !
Em 1953, foi convidada para atuar na boate Casablanca no espetáculo Feitiço da Vila sobre a obra de Noel Rosa. Pois dali a pouco viajou com o elenco para a prestigiadíssima boate Esplanada em São Paulo, chamando a atenção da cadeia de Rádio e TV Record. Na era pré- videoteipe alternava um emprego fixo em São Paulo e no Rio- na Rádio e na TV Tupi. E graças a um acordo com a Todamerica começou a gravar na Continental músicas melhores como “Ocultei” de Ary Barroso.
Em 1954 tomava parte no elenco da boate Vogue a mais prestigiada do Rio de Janeiro assinando nesta época com a TV Rio depois excursionou ao Uruguai e atuou com Sílvio Caldas em outra boate frequentada pelos grãos finos paulistas a Oásis. Seguiram-se contratos cada vez melhores como um de dois anos com a Rádio Mayrink Veiga estreando após a folia carnavalesca de 1955. Depois tem o primeiro LP de dez polegadas com oito músicas lançado pela Continental: Canções a meia luz.
O Apelido

Quando seu contrato com a Todamerica acabou em 1956 a cantora foi contratada pela Copacabana Discos e passou a uma escala ascendente de sucessos. Nesta época já era apontada pela popularíssima Revista do Rádio com uma das dez cantoras mais elegantes do país. A partir dai atuou em inúmeras boates e não se pode medir o número de espetáculos que fez.
Numa das temporadas na boate Oásis nasceu o famoso título de Divina dado por Haroldo Costa jornalista e produtor de shows. Numa coluna que ele escreveu substituindo seu amigo Sérgio Porto decidiu falar no tal show na boate paulista inventando que um grupo portava uma faixa que dizia Elizeth A Divina. Curiosamente tal inspiração veio de um amigo que adorava a atriz Greta Garbo e ó se referia esta famosa atriz sueca com este adjetivo.

Casos Amorosos e Relações com Outros Artistas

Muito discreta na vida pessoal sabe-se que Elizeth teve relacionamento amoroso com muito de seus admiradores. Aliás, ela era sempre escalada para receber as personalidades artísticas estrangeiras. Foi assim com Louis Armstrong, Brooker Pitman, Nat King Cole e Sara Vaughan com quem cantou na ocasião e manteve longa amizade apesar de não falar inglês.

Barracão
Em 1968 a cantora participaria de um show antológico e memorável feito em prol do Museu de Imagem e Som junto com o compositor Jacob do Bandolim o conjunto Época de Ouro e o Zimbo Trio. No show houve a união entre tradição e modernidade da música brasileira, alternado músicas da antiga com outras mais modernas. Entre tantos sucessos de várias épocas da música brasileira o show consagrou o samba “Barracão” cantado maravilhosamente pela Divina.

Barracão ( Luiz Antonio – Oldemar Magalhães)

Ai barracão
Pendurado no morro
E pedindo socorro
A cidade a seus pés
Ai barracão
Tua voz eu escuto
Não te esqueço um minuto
Porque sei
Que tu és
Barracão de zinco
Tradição de meu país
Barracão de zinco
Pobretão Infeliz
Ai barracão
Pendurado no morro
E pedindo socorro
Ai a cidade
A seus pés
Barracão de zinco
Barracão de zinco


Elizeth também foi uma cantora popular que ousou gravar as Bachianas Brasileiras n 5 do compositor erudito Heitor Villa- Lobos.
Elizeth recebeu elogios de Edith Piaf e fez sua primeira viagem ao Japão onde cantou em Tóquio para um público de 4.500 pessoas.
Sofreu muito com a perda do último companheiro e viajou novamente para o Japão. Durante a viagem com uma turnê por quinze cidades do Japão teve seu primeiro susto passou muito mal e chegou a ser hospitalizada. Na volta foi diagnosticado um câncer da qual foi operada sem saber. Ainda fez algumas apresentações, mas voltou a mesa de operações. O último disco que ela teve ainda a chance de ver finalizado foi Ary Amoroso lançado em dezembro de 1989 pouco antes de falecer do dia 7 de maio de 1990 a dois meses de completar 70 anos.

Canção da Manhã Feliz ( Haroldo Barbosa- Luiz Reis)

Luminosa Manhã
Tanto céu, tanta luz
Dá-me um pouco céu
Mas não tanto azul!
Dá-me um pouco de festa, não esta
Que é demais pros meus anseios
Você sabe, manhã, ele veio!
Despertou-me sorrindo
E até me beijou...
Eu abri a janela
E este sol entrou
De repente em minha vida
Já tão fria e sem desejos
Estes festejos, esta emoção
Luminosa manhã!
Tanto céu tanto azul
È demais
Para o meu coração!

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Assis Valente


Assis Valente

Vida

José de Assis Valente nasceu em 19 de março de 1911. Tudo é obscuro a respeito de informações sobre o início de sua vida a começar pelo local de nascimento. Seria o Campo da Pólvora em Salvador. Outros biógrafos porém, apontam o município de Santo Amaro da Purificação. A certidão de casamento passada no Rio em 1939 aponta Pateoba como berço. Sobre os pais parece não haver dúvidas: era filho de Maria Esteves Valente, negra e José de Assis Valente descendente de portugueses que lhe passou o nome na íntegra.
Morou em Alagoinhas com a família que o sufocava com tarefas pesadas para um menino como a de carregar sob o sol e a longa distância a farta feira semanal da casa. Desligou-se dos tutores após voltar com eles para Salvador.
Assis Valente estudou desenho e escultura no Liceu de Artes e Ofícios e fez um curso de prótese dentária, especialidade na qual acabou como sinônimo de excelência. O desenhista chegou a ganhar prêmio significativo recebido das mãos do governador da Bahia J.J. Seabra, certamente no segundo mandato de 1920 a 1924 deste político que já havia governado o estado de 1912 a 1916. Costumam atribuir muitas atividades a Assis Valente nesse período. Além de trabalhar no circo, também dedicou-se ao estudo da arte e do aperfeiçoamento como protético.
Veio para o Rio em 1927. Publicou desenhos nas prestigiosas revistas Fon-Fon e o Cruzeiro e na atrevida Shimmy, nesta como colaborador regular. Impôs- se como protético atividade na qual consolidou reputação única.
Boas Festas

Assis Valente compôs Boas Festas em um Natal em que passou completamente solitário. Num cubículo de casa modesta em Niterói reparou na gravura de artista anônimo colada à parede na qual uma menina esperava o presente de Papai Noel com os sapatinhos sobre a cama. A canção foi gravada por Carlos Galhardo em outubro de 1933 com a Orquestra Diabos do Céu arranjo e regência de Pixinguinha.

A letra é a seguinte:

Anoiteceu
O sino gemeu
A gente ficou
Feliz a rezar
Papai Noel
Vê se você tem
A felicidade
Pra você me dar
Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel
Já faz tempo que pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem.

Não há nesta canção nenhum pieguismo ou ingenuidade mas sim perfeita assimilação da filosofia popular. E uma postura oficial transformou a música em hino oficial do Natal carioca. Melhor a musica se tornou o hino informal do Natal brasileiro.
Carmem Miranda

O segredo da realização de Assis Valente como compositor terá sido conquistar como intérprete Carmem Miranda que o encantava também como mulher
Foi a grande cantora que estreou a marchinha carnavalesca “Good Bye” vencedora do concurso de marchinhas carnavalescas, sátira ao brasileiro que copia e imita o estilo de vida e os modismos do inglês e do norte-americano mal conhecendo a própria cultura.

Good bye
Good bye boy
Deixa a mania do inglês
È feio para você
Moreno frajola
Que nunca frequentou
As aulas de escola

Good bye
Good bye boy
Antes que a vida se vá
Ensinaremos cantando
BE-be Bi bi Ba ba

Não é mais boa noite
Nem bom dia
Só se fala good morning e good night

Já desprezou o lampião de querosene

Lá no morro só se usa luz da Light.

O compositor já tinha apelado para este tipo de sátira com “Tem francesa no morro” sátira a estrangeirismos e modismos na linha aberta por Lamartine Babo com “Canção para inglês ver” e engrandecida por Noel Rosa com “Não tem tradução”
“Senti que tinha surgido” - declarou o compositor no show em que Carmem Miranda cantou Good Bye pela primeira vez em público. Foi um sucesso tão grande que arrancou lágrimas dos olhos do compositor. Carmem o viu e gritou para o povo “ Vou apresentar a vocês o dono da música”. Houve bis todos cantaram em coro. A outro compositor Assis contou como surgiu a composição: “Encontrei motivo quando fui a uma festa em Vila Isabel onde as expressões em inglês eram usadas sem senso de ridículo Declamava-se muito Olegário Mariano muito Menotti del Picchia as senhoras em soirées e os almofadinhas trocavam muitos bye-byes. Achei aquilo tudo engraçado e senti pena. Na volta para casa tinha uma marchinha esboçada.

Morte

A morte de Assis Valente foi suicídio. Matou-se na Praia do Russel adicionando formicida a um copo de guaraná.
As causas para tal atitude ainda não foram explicadas. Antes, em 1941, já tentara o suicídio.
Nesta época cantava-se por toda parte "Recenseamento" uma de suas melhores músicas que aproveitava um episódio da rotina político-administrativa para fixar novos flagrantes dos costumes dos morros a fazer deliciosas ironias com o ufanismo oficial.
Tentara o suicídio atirando-se do Corcovado. Tentativa infrutífera saltara para o lado da Gávea onde a inclinação é menos íngreme e há muitas árvores. O corpo enganchara-se na copa das árvores uns 70 metros abaixo. Em sua queda no espaço o corpo havia misteriosamente se embaraçado no cipoal e queda aparada, ficara enganchado numa árvore mais frondosa.
Os trabalhos de salvamento levaram horas. Tarde da noite no Pronto Socorro constatou-se que Assis tinha sido o primeiro homem a se atirar do Corcovado e não morrer. No hospital confortado pela mulher Nadyle e pelos amigos muito dos quais também compositores de música popular foi interpelado pelo compositor Ary Barroso que o censurou fortemente por ter tido aquela atitude. Sua resposta levantou uma ponta do enigma: “ Glórias não resgatam letras.
A tentativa no Corcovado teve muito mais repercussão do que o suicídio na Praia do Russel- e isso nada tem a ver com sítios turísticos. Isso porque foi a atitude de um homem que não interessava mais como artista a uma indústria musical que estava tomando outros caminhos.

Sinhô


Sinhô (José Barbosa da Silva)

Vida

José Barbosa da Silva, o Sinhô, autodenominado Rei do Samba, nasceu no Rio de Janeiro no dia 8 de setembro de 1888. Seu pai, Ernesto Barbosa da Silva, o Tené, era pintor. Tené acabou por se casar com a portuguesa Graciliana. Tiveram dois filhos, o mais velho. José, o Sinhô e o caçula, também Ernesto, o Caboclo.
O que se pode deduzir é que mesmo vindo do Estado do Rio, Ernesto não era tão pobre quanto os ex-escravos do vale do Paraíba. Pelo contrário, era pessoa já estabelecida com ofício, casa, comida, tempo para lazer e apreciador das artes com gosto pela música e vontade de que o filho viesse a ser flautista de um dos grupos de choro de sua admiração. Não fosse assim e Sinhô não teria o piano dos avós para descobrir seu verdadeiro instrumento que aprendeu rapidamente. Abandonou a flauta para se dedicar ao piano e, menos, ao violão e ao cavaquinho.
José livrou-se cedo da educação rigorosa que o pai lhe impusera. Não aprendeu flauta e não quis trabalhar como auxiliar de pintor. Aos 17 anos já estava vivendo com a portuguesa Henriqueta Ferreira, um ano mais nova, com quem foi morar no subúrbio de São Francisco Xavier. Tiveram três filhos, um homem e duas mulheres. Mudaram-se várias vezes, ( Engenho de Dentro, Morro do Castelo, Catumbi) e viveram quase sempre em extrema pobreza. Até que Henriqueta morreu, aos 25 anos, em 1914.
Pouco se sabe dos noves anos em comum que o compositor viveu com Henriqueta .O certo é que passaram por privações, dificuldades financeiras e mudanças. Consta que no entanto que em 1911 ele foi um dos fundadores e pianista do rancho Ameno Resedá, pelo qual saia no Carnaval. E tudo indica que o dinheiro, pouco, era ganho tocando piano em festas familiares e pequenos clubes do bairro. Ou, já depois da morte da mulher, em grêmios dançantes e carnavalescos em que se tornaria conhecido . Um deles, O Tome Abença a Vovó. Outro os Netinhos do Vovô. Outro mais, o Kananga do Japão, no número 44 do Senador Eusébio na Cidade Nova.
Sinhô tinha com o Kananga antiga relação sentimental o pai era sócio da casa e para ela pintara um dos estandartes.
Um ano depois da morte da mulher, de bolsos vazios ele já se fizera muito conhecido principalmente como pianista, hábil que era na execução de ritmos do momento. Em 1915, os jornais já se referiam a ele como inspirado maestro, inclusive como uma das atrações de recital realizado na sociedade Fidalgos da Cidade Nova, ele no piano e Pixinguinha na flauta. Sinhô era muito requisitado por toda parte. Por conta própria, fazia ponto em casas de música para travar conhecimento com o pessoal do meio e, ao mesmo tempo, aproveitar os pianos para ensaiar ou exibir-se para os clientes. Tinha comissão pela venda de um dos pianos.
A rotina seguida por Sinhô era a seguinte; acordar ao meio-dia, fazer ponto à tarde nas casas de música alternar as noites entre tocar em sociedades dançantes e frequentar reuniões musicais e cultos religiosos na Cidade Nova. Mais tarde ia tocar violão para uma de muitas de suas amantes, geralmente prostitutas.

Mulheres

Além de Henriqueta, Sinhô também conheceu uma mulher chamada Cecília, pianista, musicista formada, alguns anos mais velha que virou sua amante e era a pessoa a quem ele recorria para passar suas composições para a pauta antes de serem editadas. Com ela Sinhô aprendeu, de foma incipiente a ler partituras que tocava para os eventuais interessados em comprá-las. Depois de Cecília ele ainda teria entre incontáveis amantes duas com quem viveria: Carmem prostituta que trabalhava na Avenida Mem de Sá e Nair Moreira, a Francesa companheira de 1922 até sua morte
No enterro do compositor seria registrada uma briga ente Nair e Araci Cortes a maior estrela do teatro de revista da época.

Polêmicas Musicais

Vaidoso e carismático, Sinhô era um gênio da autopromoção. Para alcançar fama não hesitava em provocar outras pessoas em suas músicas. Um de seus alvos foi Pixinguinha, seu irmão Otávio da Rocha Viana e o grupo dos baianos, assim chamados porque eram descendentes dos escravos que vindos da Bahia migraram para o Rio na segunda metade do século XIX e que faziam suas reuniões nas casas das lendárias “tias” baianas cuja pessoa mais famosa foi Hilária Batista de Almeida, A Tia Ciata.
A primeira provocação musical foi com o samba “Quem são eles”

A Bahia é boa terra? Ela lá e eu aqui, iaiá /Ai ai ai/ Não era assim que o meu bem chorava/ Não precisa pedir que eu vou dar/Dinheiro não tenho, mas vou sambar....”

Não ficava claro a quem Sinhô provocava em seus versos, mas certamente era um ou vários baianos
A reação dos atingidos foi imediata. Hilário Jovino de Almeida respondeu com “ Não és tão falado assim”.
Donga, autor de “Pelo Telefone” registrado como primeiro samba da história da música popular brasileira com “ Fica calmo que aparece” e Pixinguinha e seu irmão com o mais explícito “ Já te digo”

Um sou eu/ E o outro eu já sei quem é/ Ele sofreu / Para usar colarinho em pé.”

Num dos versos desta música Sinhô era descrito como alto, magro, feio e desdentado. Na estrofe final o flautista Pixinguinha debocha do ex- flautista José:

No tempo em que tocava flauta/ Que desespero! / Hoje ele anda janota / A custa dos trouxas/ Do Rio de Janeiro”

Não devemos pensar que Sinhô se ofendeu com as respostas a seu samba, tivesse este, ou não, a turma baiana como alvo. Tudo aquilo servia aos seus propósitos que eram oferecer material para suas polêmicas musicais e o de se promover cada vez mais.

Para criticar o irmão de Pixinguinha, que tinha pés grandes, Sinhô fez a seguinte música:



O Pé de Anjo ( Sinhô)

Eu tenho uma tesourinha
Que corta ouro e marfim
Guardo também para cortar
As línguas que falam de mim
Ò pé de anjo, ó pé de anjo
És rezador, és rezador
Tens o pé tão grande
Que és capaz de pisar
Nosso senhor, nosso senhor
A mulher e a galinha
Um e outro interesseiro
A galinha pelo milho
E a mulher pelo dinheiro


A Sátira na obra de Sinhô

As sátiras e críticas de Sinhô não se limitavam ao grupo de baianos, nem a gente modesta da Cidade Nova . Ele chegou a satirizar ninguém menos que Rui Barbosa, o Águia de Haia, um dos maiores intelectuais brasileiros, o gênio da raça, mas que acumulava sucessivos fracassos políticos como a derrota para o marechal Hermes da Fonseca na frustrada campanha presidencial de 1910, conhecida como campanha civilista.

Fala Meu Louro (Sinhô)

A Bahia não dá mais coco
Para botar na tapioca
Pra fazer o bom mingau
Para embrulhar o carioca
Papagaio louro do bico dourado
Tu falavas tanto
Qual a razão que vives calado
Não tenhas medo
Coco de respeito
Quem quer se fazer não pode
Quem é bom já nasce feito


O Maxixe

Costuma denominar-se de maxixe uma forma mais lasciva e requebrada, com forte influência africana de dançar a polca, a habanera, o tango e outras formas de salão de origem europeia. Por isso se afirma que a forma de samba que Sinhô praticava, ou seja, o maxixe acabou, coincidindo com sua morte.
Mas foi com a obra de Sinhô que os brasileiros aprenderam a gostar de samba.
Sinhô morreu no Rio de Janeiro no dia 4 de agosto de 1930.