segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Lupicínio Rodrigues


Lupicínio Rodrigues

Cadeira Vazia (Lupicínio Rodrigues- Alcides Gonçalves)

Entra meu amor, fique á vontade
E diz com sinceridade o que desejas de mim
Entra, podes entrar, a casa é tua
Já que cansaste de viver na rua
E teus sonhos chegaram ao fim
Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas tristes
Que não gosto de lembrar esse dia
Mas de uma coisa podes ter certeza
Teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia
Tu és a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que sou teu paizinho
Que há tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu
Voltaste, estás bem, estou contente
Só me encontraste um pouco diferente
Vou te falar de todo o coração
Não te darei carinho nem afeto
Mas para te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar podes comer meu pão

Vida

Lupicínio Rodrigues nasceu no bairro de de Ilhota em Porto Alegre no dia 16 de setembro de 1914. Era filho de Francisco Rodrigues que trabalhava como agregado do desembargador André da Rocha na portaria da Escola de Comércio. A mãe, Dona Bega, era lavadeira.
Lupicínio era de uma família de vinte e um irmãos. O pai lhe deu este nome em homenagem a um dos heróis da Primeira Guerra Mundial iniciada no ano em que Lupicínio nasceu.
André da Rocha pagou os estudos de Lupicínio que estudou em bons colégios. Morava numa casa simples mas que dava conforto a imensa prole com direito a ter um pátio com galpão e parreira.
Aos 12 anos completou primário, já fazendo música e jogando bola. Preocupado o pai o matricula num curso profissionalizante de mecânico onde ele sai aprendiz em uma oficina de bondes. Também ajudava no orçamento de casa trabalhando como vendedor ambulante, mandalete ( o boy da época) e operário.
Fazia parte da Bandinha Furiosa formada por músicos que tinham todos pelos menos 20 anos a mais do que ele. No carnaval a a bandinha mudava o nome para Bloco do Moleza e é onde vai estrear ao 13 anos de idade, o compositor Lupicínio Rodrigues com a marchinha “ Carnaval” em 1927.
Tinha um desempenho vocal tão bom que foi contratado pelo já profissional Conjunto Catão. O pai sente que a vocação artísticas do filho é séria e tenta tirá-lo desta vida antes que seja tarde; altera a data de nascimento do filho de 15 para 18 anos e o põe no serviço militar a fim de que se tornasse militar. Mas não adiantou nada.

Fatos marcantes

A primeira musa das muitas mulheres que o compositor teve foi Inah habitante da bucólica Santa Maria cidade a trezentos quilômetros de Porto Alegre no Rio Grande do Sul.
Lupicínio foi enviado para esta cidade do Rio Grande do Sul por causa de indisciplina. Passou bêbado e fantasiado ( estava de serviço) em frente ao quartel em pleno Carnaval.
A família de Inah começou a se desesperar com a incorrigível boêmia do pretendente. Inah intima Lupicínio a casar-se com ela. Lupicínio diz não. Muito ofendida Inah casa-se com outro.
E ainda houve o casamento meteórico de viúvo pois Lupicínio teve um casamento com Juraci que estava no leito de morte quando pediu a ele que legalizasse a situação com ela para legalizar a situação da filha que tivera com o compositor.
Mais tarde o compositor casou-se com Cerenita moça que conheceu em Santa Maria quando ela era muito jovem que lhe deu o primeiro filho homem: Lupicínio Rodrigues Filho.
O compositor foi convidado a compor o hino do Grêmio Football Porto Alegrense time do coração. Inspirou-se em uma greve de operários com o mote “ Até a pé nós iremos para o que der e vier” e o que era tema de momento acabou virando o hino oficial do clube.
O compositor também foi dono de restaurantes e churrascarias Em tempos de mudar de vida ele abre a primeira das tantas casas noturnas que teria a churrascaria Jardim da Saudade. Além disso muito interessado no tema dos direitos autorais torna-se representante regional da SBACEM ( Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música), função que exercerá pelos vinte e oito anos seguintes.
Os parceiros do compositor foram Alcides Gonçalves com quem compôs “ Cadeira Vazia”, “ Castigo “ “ Maria Rosa “ e Felisberto Martins. Com esse deu-se um fato curioso; além de parceiro Felisberto era o diretor artístico da maior rival da Victor a Odeon, E um grande “comprositor”. Tornou-se com a compra de parcerias coautor de dezenas de canções sem jamais ter escrito uma linha ou uma nota delas. Só com Lupicínio são pelo menos vinte canções. Era um acerto tão objetivo de troca de favores que só depois de dois anos a os dois parceiros tiveram o primeiro encontro.

Esses Moços

Lupicínio compôs 'Esses Moços” para convencer o amigo Hamilton Chaves a não casar. O que lhe valeu a eterna antipatia da futura esposa do parceiro.
A letra é a seguinte :

Esses Moços ( Lupicínio Rodrigues)

Esses moços, pobre moços
Ah se soubessem o que eu sei
Não amavam, não passavam
Aquilo que eu já passei
Por meus olhos, por meus sonhos
Por meu sangue, tudo enfim
É que eu peço a esse moços
Que acreditem em mim
Se eles julgam
Que ha um lindo futuro
Só o amor
Nesta vida conduz
Saibam que deixam o céu
Por ser escuro
E vão ao inferno
Á procura de luz
Eu também tive
Nos meus belos dias
Esta mania que muito me custou
Pois só as mágoas que eu trago hoje em dia
E estas rugas
Que o amor me deixou
Esse moços, pobres moços
Ah, se soubessem o que eu sei.

Vingança

A famosíssima Vingança foi composta em 1951. Ganhou fama internacional graças á versão em espanhol, gravada em ritmo de tango por vários artistas argentinos.
A letra é forte e muito humana provocando profunda comoção em que a ouvia. Também seu teor parece com os das pragas bíblicas ainda que se tenha que ressaltar a coloquialidade do texto. Quase uma carta.
A canção ficou muito famosa na voz da cantora Linda Batista.

Vingança (Lupicínio Rodrigues)

Eu gostei tanto
Tanto, quando me contaram
Que lhe encontraram
Bebendo e chorando
Na mesa de um bar
E que quando os amigos
Por mim perguntaram
Um soluço cortou sua voz
Não lhe deixou falar
Mas eu gostei tanto
Tanto, quando me contaram
Que tive mesmo que fazer esforço
Para ninguém notar
O remorso talvez seja a causa
Do seu desespero
Você deve estar consciente do que praticou
Me fazer passar esta vergonha
Com um companheiro
E a vergonha
É a herança maior que meu pai me deixou
mas enquanto houver força em meu peito
Eu não quero mais nada
Só vingança, vingança, vingança.
Aos santos clamar
Você há de rolar entre as pedras que rolam na estrada
Sem te nunca um cantinho de seu
Para poder descansar.

A partir daí, pelos dez anos seguintes Lupicínio será um dos compositores de maior sucesso e prestígio em todo o pais desmentindo o fato de que para ser famoso e conhecido o compositor tinha que ser carioca ou paulista.
Mas aí veio anos 60 e o compositor caiu no ostracismo. Até o próprio filho não acreditava que o pai tinha sido um artista.
A música de Lupicínio resumia todas as patologias e neuroses que a geração da década de 60 queria esquecer. O golpe definitivo da realidade se dá em 1967 quando inscreve a saudosista “ No Tempo da vovó” no II Festival Internacional da Canção, o Fic e não é sequer classificado. O clima estava mais para compositores mas novos e de acordo com a nova realidade do para um cinquentão lembrando do tempos da avó.
A saída do compositor do ostracismo de deveu ao poetas concretistas Augusto e Haroldo de Campos mais Décio Pignatari que escrevem um artigo surpreendente sobre o compositor, Tendo conhecido o compositor em Porto Alegre ficaram surpresos com a inexistente fronteira entre o sublime e o grotesco na obra do compositor.
Apesar de apenas alguns intelectuais da época terem dado atenção ao artigo, este se mostra profético e ajudaria o compositor num futuro próximo.
Foi quando João Gilberto depois de anos no exterior grava “ Quem Há de Dizer “ uma canção de Lupicínio em 1971. Depois Caetano Veloso influenciado por João Gilberto volta do exílio londrino cantando “ Volta “ outra canção de Lupicínio. Caetano Veloso então passa a divulgar a obra do compositor. Gravando “ Felicidade” ,outra canção de Lupicínio.
Por fim a grande cantora Elis Regina, também gaúcha criada em uma Porto Alegre bem diferente da que Lupicínio vivera grava duas de suas canções “Cadeira Vazia e Maria Rosa.
Mas a vida do compositor já estava chegando ao fim. As gravações de Elis e Caetano são uma das duas últimas notícias que recebe.
O compositor morreu de insuficiência cardíaca decorrente de diabetes no dia 27 de agosto de 1974. depois de uma semana internado na Unidade de Tratamento Coronário do Hospital Ernesto Dornelles. Já estava mal quando o filho lhe traz a notícia : Pai, “ Felicidade” ( na versão de Caetano) tá estourando na parada de sucessos ! “ Ele ainda tem forças para retrucar: Finalmente estão reconhecendo de novo o velhinho...”
Foi velado no estádio Olímpico do seu amado Grêmio com a bandeira do time cobrindo o caixão.


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Waldir Azevedo


Waldir Azevedo

Vida

O compositor Waldir Azevedo nasceu no Rio de Janeiro no dia 27 de janeiro de 1923 no subúrbio carioca da Piedade, entre Meier e Cascadura. Seus pais eram Walter, funcionário da Light e Benedita Azevedo. O pai, como já foi dito, era funcionário da Light, companhia responsável pelo fornecimento de eletricidade e pelos bondes que circulavam no Rio de Janeiro.
Seus pais desejavam que ele fosse sacerdote, atividade para a qual não sentia a menor vocação. O menino queria ser aviador.
Mas aviação acabou por perder Waldir. Às vésperas do Carnaval de 1933, o menino que tinha acabado de completar dez anos despertou para a música se interessando por uma flautinha de lata que um vizinho cujo apelido era Marreco tocava. Para arrecadar fundos e comprar o instrumento, Waldir pegou uns passarinhos e os vendeu na feira do subúrbio vizinho do Engenho de Dentro. Acabou por adquirir a flauta e levou-a consigo para o Jardim do Meier e lá chamou a atenção executando o grande sucesso daquele Carnaval. Tratava-se da marchinha do compositor João de Barro conhecido como Braguinha, intitulada “ Trem Blindado” que trazia um curioso paralelo entre as desavenças de um homem com sua sogra e a revolução constitucionalista de São Paulo, o grande acontecimento do ano anterior.
Na casa de um vizinho o menino ia olhar os saraus e ficava fascinado como o bandolim. Pediu a um bandolinista para experimentar o instrumento e foi constatado que ele levava jeito para a coisa. A notícia chegou ao conhecimento da mãe de Waldir que desafiou o filho dizendo que se ele aprendesse a tocar o “ 'Fado da Severa” ganhava um bandolim.
Waldir aprendeu a tocar o bandolim e ganhou seu primeiro instrumento de cordas. No último ano do curso ginasial, se preparou para o concurso de admissão a aviação militar, na época uma área ligada ao Exército. A decepção veio com o exame médico que indicou que ele tinha uma deficiência cardíaca que o impedia de seguir esta área.
Parece que esta mudança de planos tirou o interesse do adolescente pelos estudos e diante disso seu pai fez o que era comum da época; arranjou um emprego para o filho na mesma empresa que trabalhava, mesmo antes dele completar a maioridade. .Waldir começou no escritório da Light, mas conseguiu depois ficar como apontador, um trabalho externo que não tinha horários fixos e o deixava livre para se dedicar a música.

Casamento

Certa vez andando pelo bairro da Tijuca, Waldir foi apresentado a uma moça que acabaria se tornando sua futura esposa. Ela se chamava Olinda Barbosa.
Em setembro de 1944, ficaram noivos. Casaram-se em janeiro do ano seguinte., no dia do aniversário de Waldir.
A época em que foi realizado o casamento era muito dura e difícil pois era a época da Segunda Guerra Mundial e o jovem casal foi morar em um quarto dos fundos da casa dos pais da Waldir, na Rua Oliveira, no Meier, uma ladeira transversal à Rua Dias da Cruz, a principal do bairro, em frente a um cinema chamado Imperador.
A situação difícil levou Waldir a usar seu bom ouvido em outra atividade que nada tinha de musical. Ele trabalhou por um tempo como recepcionista numa oficina que consertava os utilitários e caminhões da marca Nash. Bastava dar uma volta com o veículo que na volta dizia, pelos ruídos que escutava, qual era o problema mecânico.
Waldir e Olinda tiveram duas filhas chamadas Miriam e Marli.

Primeiro Emprego

O casamento trouxe muita sorte ao noivo pois Waldir foi convocado para fazer um teste na Rádio Clube do Brasil e com a perspectiva de um emprego que lhe pagaria o dobro do da Light. A oportunidade surgiu a partir da saída do conjunto dirigido pelo flautista Benedito Lacerda, o mais prestigiado regional da época, da Rádio Clube.
O primeiro emprego de Waldir no ramo da música aconteceu quando o diretor da Rádio Clube, Renato Murce chamou o violonista Dilermando Reis e lhe pediu que organizasse um grupo, pois uma emissora da época não podia passar sem um conjunto regional. Esses grupos não necessitavam de arranjos escritos e assim iam improvisando, acompanhando calouros, músicas ainda inéditas tiradas na hora, ou seja, com poucos músicos se preenchiam muitas horas de programação.
Waldir arranjou um cavaquinho emprestado na loja Ao Bandolim de Ouro, com a condição de comprá-lo caso fosse aprovado no teste. E foi se preparar em casa. Aprovado, assumiu o emprego num momento em que Dilermando começava a se destacar como solista de violão. Sendo requisitado para apresentações fora do Rio ,o violonista foi passando o comando do grupo a Waldir e este, com sua fabulosa intuição, ia resolvendo todos os problemas mesmo sem conhecer teoria musical ou ler partituras. Durante os anos que se seguiram, o músico se tornou um profissional capaz de acompanhar dos cantores mais brilhantes aos calouros mais desastrosos.
O grande salto na vida de Waldir no entanto começou a acontecer no dia em que um sobrinho pequeno insistiu para que o tio tocasse alguma coisa com um cavaquinho de brinquedo que só tinha uma corda. Nasceu ali o tema de “Brasileirinho” desenvolvido mais tarde e harmonizado na rádio pelo violonista companheiro de regional, Jorge Santos.
O que o compositor não imaginava é que sua grande chance profissional estava se criando ali mesmo na gravadora Continental alguns andares acima. E foi novamente o compositor Braguinha (o autor da já citada marcha “Trem Blindado”) que precisava de um solista de cordas para recompor seu elenco. Ouvindo o conselho de seu técnico de gravações, o também compositor Norival Reis e de Dilermando, seu contratado, que já havia sobre um choro ligeiro do rapaz do cavaquinho, foi ao auditório da Rádio Clube e ouviu Waldir tocar “ Brasileirinho .O convite para a gravação foi feito na hora e combinaram ainda que um outro choro de Waldir “ Carioquinha” completaria o disco.
Em maio de 1949 e no mês seguinte o disco Continental chegou ao mercado trazendo Carioquinha no lado A e Brasileirinho no B. Era a estreia de um solista, de um compositor e de um som que ninguém jamais havia escutado fora do âmbito da Rádio Clube.
O som era excelente, o disco foi lançado mas nem o mais otimista das pessoas poderia prever o resultado.

Perdas

Waldir Azevedo passou por uma grande sofrimento. Foi quando aconteceu um grave acidente de automóvel na região serrana do Rio envolvendo suas duas filhas. Miriam, a mais velha não sobreviveu.
Para melhorar seu quadro psicológico devido a perda da filha, Waldir ocupou o cargo de vice- presidente da União Brasileira de Compositores..Também começou a ler e escrever música.

Acidente

O compositor também sofreu um grave acidente que quase lhe tirou a possibilidade de tocar seu instrumento.
Ele tinha a mania de consertar coisas. Um dia foi mexer no cortador de grama. Desmontou o aparelho, limpou e lubrificou as peças, desentortou e foi remontando. Quando estava quase no fim foi atender o telefone. De volta, ligou o aparelho e a lâmina que ainda não estava devidamente apertada, saiu do eixo e arrancou a ponta do dedo anular esquerdo, Olina o socorreu e correram para o hospital. Chegando lá o médico perguntou pelo pedaço do dedo e ela respondeu que havia posto no lixo. Seguindo instruções médicas, voltou e pegou o pedaço, que foi reimplantado. A recuperação foi lenta e muito dolorosa
O resultado da recuperação foi um bonito choro chamado “ Minhas Mãos, Meu Cavaquinho” que cita um trecho da Ave- Maria.

O Desafeto

Waldir Azevedo foi o compositor popular de maior sucesso comercial da história da MPB. Mas o seu sucesso incomodou muita gente principalmente Jacob do Bandolim. Este artista, também um dos maiores nomes da música popular brasileira passou a implicar com a música do outro, referindo-se a ela como um amontoado de toleimas de sandices chegando a classificar uma composição de Waldir, um baião chamado “ Delicado” como o marco da deterioração da música popular brasileira.

Morte

Ao completar 57 anos, a saúde de Waldir já não era a mesma. Fumante desde a juventude, tomava remédios para o coração, mas acabou sofrendo a ruptura de um aneurisma abdominal. Após ser transferido de Brasília para São Paulo para ser melhor assistido acabou morrendo em 20 de setembro de 1980, depois de uma semana de hospital.


Luiz Gonzaga


Luiz Gonzaga

Baião ( Luiz Gonzaga- Humberto Teixeira)

Eu vou mostrar para vocês
Como se dança um baião
E quem quiser aprender
É favor prestar atenção
Morena chegue para cá
Bem junto do meu coração
Agora é só me seguir
Pois eu vou dançar o baião
Eu já dancei, balancei
Chamego, samba em Xerém
Mas o baião tem o quê
Que as outras danças não tem
Quem quiser só dizer
Pois eu com satisfação
Vou dançar cantando o baião
Eu já cantei no Pará
Toquei sanfona em Belém
Cantei lá no Ceará
E sei o que me convém
Por isso eu quero afirmar
Com toda convicção
Que sou doido pelo baião.

Vida
O compositor Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu na Fazenda Caiçara, no sopé da Serra do Araripe, próximo a Exu, em Pernambuco em 13 de dezembro de 1912. O pai que era sanfoneiro, consertava instrumentos e era agregado da fazenda. Tinha certos privilégios por ser músico e casado com Santana (Ana Batista) que embora de linhagem negra integrava a família dos Alencar, brancos latifundiários de terras na região. O filho de Januário dos Santos foi batizado com os nomes de Luiz porque era dia de Santa Luzia, Gonzaga ( o complemento do nome de São Luiz) e Nascimento por ser o mês em que nasceu Jesus. Cresceu em meio a pouca escola, comida racionada e nove irmãos- cinco dos quais se tornaram sanfoneiros profissionais. Além dos instrumentos que gostava de ver o pai consertar e já começava afinar e tocar, Luiz passou a viajar como ajudante do “ Sinhô” Aires, da família dos proprietários da fazenda. Aprendeu a ler, e do patrão ganhou uma sanfona “oito baixos”- parecida com a de seu ídolo Lampião e também a do pai Januário que o profissionalizou aos 14 anos. Na vida do artista em projeto começaram a aparecer as namoradas e uma delas, Nazarena, de família importante na região encantou Luiz. Mas o relacionamento acabou não indo adiante por causa da oposição do pai da moça. Outro atrito por causa dese fato resultou em uma briga com outro membro importante da família do artista o que acabou alterando a vida de Luiz, que podia ter ficado em Exu, como o pai.
Indo para um centro mais avançado,Luiz Gonzaga vendeu a sanfona e viajou para Fortaleza,, onde se alistou no Exército como voluntário. Chegou a corneteiro de primeira classe em 1933 e ganhou o apelido de Bico de Aço. Serviu durante quase dez anos o tempo máximo permitido mas quando deu baixa já levava um sanfona Horner de 80 baixos comprada com muito sacrifício. Acabou na Zona do Mangue, no Rio, onde fez amizade com o casal Xavier Pinheiro e Leopoldina, a Dina e foi morar com eles no Morro de São Carlos. Tocava e passava o pires e para ampliar o repertório de valsas, choros e foxtrotes recorreu ao mineiro Antenógenes Silva ( 1906-2001) o mais famoso acordeonista da época, que ensinava o instrumento numa percursora escola aberta no bairro do Flamengo.
Asa Branca

Asa Branca ( Luiz Gonzaga- Humberto Teixeira)

Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Que braseiro que fornalha
Nem um pé de plantação
Por falta d´água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Até mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Então eu disse adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro, não chores não viu
Que eu voltarei viu ,meu coração
Hoje longe muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Para eu voltar pro meu sertão

Parceiros

Um dos parceiros de Luiz Gonzaga foi Humberto Teixeira, nascido em Iguatu, sobrinho de maestro, músico especializado em bandolim e na flauta, cujo nome já frequentava o meio musical carioca. O histórico encontro dos dois, no escritório do médico Teixeira no centro do Rio teria resultado na primeira parceria da dupla a ser gravada por Gonzaga o xote nostálgico “ No meu pé de serra”, Mas a reunião sacramentou o gênero nordestino que eles acharam mais urbanizável. Era o baião.
.Outro parceiro decisivo da segunda fase da implantação da operação nordeste foi o médico Zé Dantas que Gonzaga conheceu ainda estudante no Recife. Nascido em Carnaúba, distrito de Pajeú de Flores, Dantas era um estudioso da cultura da região e admirador do trabalho que Gonzaga fazia ao difundi-la. “Vem morena” foi a primeira da nova dupla e seria gravada em 1950.
Ainda haveria outro parceiro o também pernambucano de Arco Verde, João Silva,homem com uma visão muito experiente da vida como o próprio parceiro, que morou durante 48 anos na periferia carioca.

Família

Luiz Gonzaga casou-se com a contadora pernambucana Helena das Neves Cavalcanti em junho de 1948. Adotou uma menina Rosa Maria, a Rosinha adquiriu bens e trouxe a família de Exu para morar com ele. Teve outro filho de criação Luiz Gonzaga Junior, o Gonzaguinha, também artista .

Ostracismo e Volta Por Cima

Em 1971, Gonzaga tentou uma aproximação com as gerações posteriores no LP “ O canto jovem de Luiz Gonzaga onde escalou de Geraldo Vandré ( Fica mal com Deus) a Tom Jobim e Vinícius de Moraes (a rara toada “ Caminho de Pedra do inicial “ Canção de Amor Demais”) Edu Lobo e Capinam ( “ Cirandeiro”), Gil ( “ Procissão”), Dori Caymmi e Nelson Mota ( “ O cantador”). Criado nos padrões rígidos da cultura interiorana Luiz Gonzaga mudou a letra de ' No dia em que eu vi embora”. As vendagens declinavam e ele satirizou o descompasso com a nova geração em “ Xote dos Cabeludos” (“ Cabra que usa pulseira/ No pescoço um medalhão/ cabra com esse jeitinho/ no sertão de meu padrinho/ cabra assim não tem vez não “ ) com José Clementino.
Mas a desejada volta por cima veio.
A debacle física produzida por um câncer de próstata e consequente metástase já se refletiam na voz cansada das últimas gravações do cantador. Ele morreu no dia de 2 de agosto de 1989., após quase dois meses de internação em Recife, capital de Pernambuco.

Juazeiro ( Luiz Gonzaga- Humberto Teixeira)

Juazeiro, juazeiro
Me arresponda, por favor
Juazeiro, velho amigo
Onde anda meu amor
Ai. juazeiro
Ela nunca mais voltou
Diz, juazeiro
Onde anda meu amor
Juazeiro, não te alembra
Quando o nosso amor nasceu
Toda tarde á sua sombra
Conversava ela e eu
Ai. juazeiro
Como doí a minha dor
Diz juazeiro
Onde anda meu amor
Juazeiro, seja franco
Ela tem um novo amor
Se não tem, porque tu choras
Solidário a minha dor
Ai, juazeiro
Não me deixa assim roer
Ai, juazeiro
Tô cansado de sofrer
Juazeiro, meu destino
Tá ligado junto ao teu
No teu tronco tem dois nomes
Ele mesmo é que escreveu
Ai, juazeiro
Eu num guento mais roer
Ai,juazeiro
Eu prefiro inté morrer
Ai, juazeiro

Luiz Gonzaga 

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Gregorio Barrios


Gregório Barrios

Dados Biográficos

Gregório Barrios, o “ Rei do Bolero” nasceu em Bilbao, na Espanha ( era portanto do País Basco) no dia 31 de janeiro de 1911 originário de uma família muito humilde. Teve três irmãos. Quando Gregório estava com dez anos de idade seu pai foi obrigado a emigrar com toda a família porque, simpatizante do socialismo, estava sofrendo perseguição política em seu pais. O pai de Gregório emigrou com a família para a Argentina.
Na Argentina, Gregório trabalharia em diversos empregos, até se fixar durante doze anos na parte administrativa de uma empresa pavimentadora de estradas. Nessa empresa, chegaria um posto de chefia. Mas foi em um emprego anterior, ao cantarolar em serviço que despertou a atenção do filho do dono que o desperta para a possibilidade de seguir carreira artística.
Seu sonho era ser cantor lírico. Resolve estudar canto tendo o apoio de sua tia Epifânia que paga seus estudos. Tem quase quinze anos de aulas , ocupando todas as horas possíveis, com o professor e tenor Abellef e o barítono Iturbi no Teatro Cólon de Buenos Aires.
No ano de 1938, passa a cantar da Rádio Callao. O nível artístico da emissora não era muito elevado e tendo o mesmo nome de seu avô, que respeitava muito, decide adotar o pseudônimo de Alberto Barrios. Além de cançonetas e trechos de ópera, cantava tangos, mas cedo viu que esse gênero não era seu objetivo artístico. Nessa altura, já tinha desistido do sonho de ser cantor lírico devido a falta de oportunidades em um ramo tão concorrido e difícil de se destacar. A consagração de nomes como Pedro Vargas, Olga Guillot, Alfonso Ortiz Tirado e Elvira Rios nos Estados Unidos faz ele ver que seu caminho era cantar boleros. Passa a acalentar o sonho de um dia poder lançar boleros compostos por autores argentinos.
Em 1940, deixa seu emprego e assina contrato com exclusividade com a prestigiada Rádio El Mundo de Buenos Aires, na qual ficaria por muito anos apesar do assédio de outras poderosas rádios da capital argentina.
Em 1941, vem pela primeira vez ao Brasil. Faz uma passagem discreta pela cassino de São Vicente e pela Rádio Cruzeiro do Sul em São Paulo. Três anos mais tarde tem a oportunidade de realizar uma nova temporada desta vez no Rio de Janeiro e em Petrópolis nos famoso Cassinos Atlântico e Quitandinha. Apresentava-se como o típico traje espanhol, cantando trechos de operetas e boleros. Fez muito sucesso no Brasil tanto nas capitais quanto no interior por todos os rincões brasileiros., reproduzindo no Brasil a fama que tinha nos países de língua espanhola. Em Cuba, para uma temporada de menos de um mês, recebeu uma quantia fabulosa de dinheiro.
Na Argentina participou de três filmes sendo o galã de Que Hermancita! . Em Buenos Aires possuía uma suntuosa mansão em uma esquina da Callle Corrientes mas passou a manifestar o desejo de morar no Brasil. O tempo revelaria que não estava sendo apenas gentil pois de fato transfere sua residência para o Brasil em 1962.
Em 1966, casa-se com um brasileira ele que tinha sido casado anteriormente na Argentina. Anos mais tarde nasceu sua filha chamada Carmen Patrícia. A filha estava com apenas um ano e quatro meses quando, com quase 68 anos de idade Gregório Barrios falece no dia 17 de dezembro de 1978.
Fazia, com sua própria orquestra a média de duzentas apresentações anuais.
Gregório Barrios foi sepultado no cemitério do Morumbi, em São Paulo.

Algumas músicas interpretada por Gregório Barrios:

- Dos Almas ( Don Fabian)
- Quizas...Quizas... (Osvaldo Farrés)
- Luna Lunera (Tony Fergo)
- Perdonar (Don Rudy- Vicente Catton)
- Alma Vanidosa (Tony Fergo)
- Hipocrita (Carlos Crespo)

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Piazzolla


Astor Piazzolla

Dados Biográficos

O compositor argentino Astor Piazzolla nasceu em Mar Del Plata, cidade situada a 400 quilômetros ao sul de Buenos Aires no dia 11 de março de 1921. Era filho de Vicente “ Nonino” Piazzola e de Asunta Minaetti, tendo portanto descendência italiana. Viveu em Nova York de 1924 a 1936. Durante este período de tempo nos Estados Unidos aprendeu a tocar bandoneón, o instrumento principal do tango. Ainda na adolescência conheceu Carlos Gardel, o lendário cantor de tango que o apoiou no início de carreira conseguindo para ele um papel no filme El Dia que Me Quieras., no papel de um vendedor de jornais.
Após regressar a Argentina em 1937, Piazzolla uniu- se a mais famosa orquestra de tango do período liderada por outra figura lendária do tango argentino, Aníbal Troilo “ Pichuco” .A orquestra de Troilo tinha mesma estrutura que a orquestra de Duke Elligton e o que essa orquestra representava para o jazz a orquestra de Anibal era para o tango, sendo a mais famosa orquestra de tango do período. Durante sua estadia com Troilo, Piazzola conquistou muita fama como acordeonista e arranjador.
Piazzola achou o próprio caminho em 1944 ao formar sua orquestra e também ter estudos de composição com o renomado compositor erudito argentino Alberto Ginastera. Pouco depois começou a fazer novas experiências musicais, com uma abordagem pouco ortodoxa do tango o que desagradou os puristas.
Em 1954, um de seus trabalhos musicais o levou a ganhar uma bolsa para estudar com a famosa professora Nadia Boulanger em Paris. Nadia compreendeu de imediato o grande potencial do músico e o estimulou a continuar com suas experiências musicais e que combinasse influências externas- como o jazz- com o tango. Piazzolla seguiu este caminho e voltou a Argentina onde sua carreira continuou a suscitar controvérsias e onde ele trabalhou incansavelmente para criar um novo tipo de tango que fosse dança e música de concerto ao mesmo tempo.
Piazzolla acabou criando uma grande banda mais tarde chamada de Octeto de Buenos Aires. Ao longo dos anos Piazzolla trabalhou com outros conjuntos musicais especialmente o El Conjunto 9 noneto que formou no anos 70, mas acabaria por voltar ao formato de quinteto. Foi como quinteto original que Piazzola compôs sua obra mais famosa Adios Nonino escrito em homenagem ao pai, que tinha falecido.
Ao chegar aos anos 70, a música revolucionária de Piazzola havia conquistado um público novo e heterogêneo compostos por aficionados por tango desencantados com a abordagens formais e pouco inovadoras das outras formações de tango com um público jovem que vinha do rock e do jazz moderno que ficavam encantados com as abordagens inovadoras de Piazzolla..
No princípio dos anos 80, o infatigável Piazzolla teve novas ideias. Chamou novos músicos para tocar no seu quinteto como o pianista Pablo Ziegler, o violinista Fernando Suarez Paz, o guitarrista Horácio Malvicino e Hector Console no contrabaixo. Ao final de década de 80, havia conquistado fama internacional para o seu conjunto expandido de quinteto para sexteto com a incorporação de Daniel Binelli para tocar um segundo acordeon. Com esta formação Piazzolla realizou excelentes concertos nos Estados Unidos e Europa.
No dia 5 de agosto de 1990, Piazzolla sofreu um violento ataque cardíaco do qual nunca se recuperou totalmente. Acabou falecendo no dia 4 de julho de 1992, em Buenos Aires. Tinha setenta e um anos.

Algumas composições de Astor Piazzolla:
- Preparense
- Lo que Vendra
-Verano Porteno
-Primavera Portena
Tristezas de um Double A.

Piazzolla 

Braguinha


Braguinha ( João de Barro)

Yes, Nós Temos Bananas ( João de Barro- Alberto Ribeiro)

Yes, nós temos banana
Banana para dar e vender
Banana, menina, tem vitamina
Banana engorda e faz crescer
Vai para a França o café
Pois é
Para o Japão o algodão
Pois não
Somos da crise se ela vier
Banana para quem quiser
Yes, nós temos banana
Banana para dar e vender
Banana, menina, tem vitamina
Banana engorda e faz crescer
Mate para o Paraguai
Não vai
Ouro do bolso da gente
Não sai
Velho ou menino, homem ou mulher
Banana para quem quiser

Esta música, de autoria do compositor Braguinha cujo nome verdadeiro era Carlos Alberto Ferreira Braga ilustra bem seu humor peculiar permeado por maliciosa crítica social. Isso porque a fruta banana significava em sentido bastante pejorativo a fruta símbolo dos países da América Latina inclusive o Brasil, vítimas do imperialismo norte-americano.
O compositor Carlos Alberto Ferreira Braga o Braguinha nasceu no dia 29 de março de 1907. Viveu 99 anos e acompanhou as evoluções tecnológicas que sacudiram a mídia no período em que viveu. Faleceu no dia 24 de dezembro de 2006.
Carlos Alberto era filho de um industrial do ramo de tecidos no bairro de Vila Isabel e parecia ter destino certo: seu pai queria que ele fosse arquiteto. Chegou a cursar por dois anos a faculdade de arquitetura mas acabou largando o curso. Antes mesmo, no período ginasial do Colégio Batista já estava ele mais próximo da música ao se aliar a uma turma de colegas que animavam com certa assiduidade reuniões sociais nos bairros da Tijuca e Vila Isabel.
Denominados Flor do Tempo, cantando-se e vestindo-se como nordestinos de sucesso no Rio um famoso grupo musical chamado Turunas da Mauricéia o grupo contou com a adesão do futuro cantor Almirante cujo nome verdadeiro era Henrique Foreis. Com liderança inata, Almirante reduziu o número de componentes, agregou—lhes o violonista Noel Rosa e propôs a troca do nome do grupo que passou a ser conhecido como Bando dos Tangarás por sugestão de Braguinha. Para evitar atritos familiares por causa de sua opção pela vida artística escolha que ainda enfrentava muito preconceito na época ele escolheu o pseudônimo de João de Barro vindo a exercer profissionalmente um importante papel naquele quinteto vocal. O Bando gravou seu primeiro disco em julho de 1929 e um mês depois duas canções de âmbito rural evidenciados pelo título “ Pra vancê” e “ Coisas da Roça “ de autoria de Carlos Braga, sua primeira assinatura como autor.
Cada componente do grupo teve sua vez como solista vocal nos 36 discos gravados ao longo dos quatro anos seguintes que definiram claramente a carreira de três deles: Almirante seria mesmo cantor e depois um misto de produtor, radialista e pesquisador, Noel Rosa e João de Barro seriam compositores, parceiros ocasionais cada vez menos cantores.
Um exemplo desta brilhante parceria é a seguinte música:
As Pastorinhas ( João de Barro- Noel Rosa)

A estrela d'alva
No céu desponta
E a lua anda tonta
Com tamanho esplendor
E as pastorinhas
Pra consolo da lua
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor
Linda pastora
Morena da cor da Madalena
Tu não tens pena
De mim que vivo tonto com teu olhar
Linda criança
Tu não me sais da lembrança
Meu coração não se cansa
De sempre e sempre te amar

A Copa de 50

A Copa de 50 de lembrança traumática para os brasileiros teve pelo menos um grande consolo. Foi quando a Seleção brasileira enfrentou a seleção espanhola, apelidada de Fúria, e aplicou-lhe uma goleada de 6x1. O Maracanã lotado atacou de “ As Touradas de Madri”. Apenas uma pessoa no estádio não cantava: o autor da música ,Braguinha, tomado pela emoção.

A letra é a seguinte:

Touradas de Madri ( João de Barro- Alberto Ribeiro)

Eu fui ás touradas de Madri
Parará tim bum- bum – bum – bum
Parara' tim- bum -bum
E quase não volto mais aqui
Pra ver Peri
Beijar Ceci
Eu conheci uma espanhola
Natural da Catalunha
Queria que eu tocasse castanhola
E pegasse o touro a unha
Caramba..
Caracoles
Sou do samba
Não me amoles
Por Brasil eu vou fugir
Que isto é conversa mole
Para boi dormir
Eu fui as touradas de Madri
Parara- tim. Bum – bum
Parará tim – bum – bum
E quase não volto mais aqui
Pra ver Peri
Beijar Ceci


Copacabana

“Copacabana” foi a música que modernizou a música popular brasileira. Foi interpretado pela primeira vez pelo cantor Dick Farney que a gravou em 2 de junho de 1946. Dick era então um crooner de canções americanas que tentava uma carreira de cantor com repertório nacional. A orquestração foi caprichosamente elaborada por Radamés Ganattali, regendo uma orquestra de cordas que sublinhava a voz de Dick, com o clima romântico de um samba canção diferente. A canção foi gravada nos anos 46-47.

Copacabana ( ( João de Barro- Alberto Ribeiro)

Existem praias tão lindas
Cheias de luz
Nenhuma tem o encanto que tu possuis
Tuas areias
Teu céu tão lindo
Tuas sereias
Sempre sorrindo
Sempre sorrindo
Copacabana, princesinha do mar
Pelas manhãs tu és a vida a cantar
E á tardinha o céu poente
Deixas sempre uma saudade na gente
Copacabana,o mar, o eterno cantor
Ao te beijar ficou perdido de amor
E hoje vive a murmurar
Só a ti Copacabana
Eu hei de amar

O Mercado de Discos Infantis.

Foi quando o compositor teve uma de suas atitudes mais inteligentes: comercializar as histórias infantis de contos de fada em disquinhos para atrair a garotada. O compositor fez a dublagem do desenho animado “ Branca de Neve e o Sete Anões o primeiro longa-metragem de Walt Disney. Ele convocou os melhores cantores brasileiros: Dalva de Oliveira para interpretar Branca de Neve e Carlos Galhardo para viver o Príncipe para cantarem as versões em português dos originais que ele traduziu do inglês.
Em 1943, Braguinha lançaria no mercado a teatralização sonora de uma literatura inédita em discos como a história da Gata Borralheira com orquestração de Radamés Gnatalli. Para atrair a criançada os produtos tinham capas coloridas e atraentes em vez dos envelopes pardos insípidos dos demais discos. O disco da Chapeuzinho Vermelho era assim ilustrado por Alceu Penna. Braguinha preconizava os displays dos Long Playng. Viriam depois disquinhos coloridos de 7 polegadas que rapidamente alavancavam as vendagens de uma nova gravadora brasileira da qual ele também seria o diretor, a Continental sucessora da Columbia no Brasil




Letrista de Carinhoso

Foi o longo processo por que passou o samba- choro Carinhoso antes de ser gravado por Orlando Silva em 28 de maio de 1937. Era uma polca lenta que Pixinguinha havia composto em 1917, mas tinha pudor em mostrá-la por ter apenas duas das três partes então obrigatórias. Apenas 10 anos depois é que se animou a desengavetá-la para gravar com orquestra o que lhe valeu uma pesada crítica. Nem as duas gravações subsequentes em 1929 e 1934 conseguiram levantar o “ Carinhoso “ instrumental do esquecimento.
Mas Braguinha atendeu ao pedido da cantora Heloísa Helena para criar uma letra de modo que ela pudesse interpretar “Carinhoso” num espetáculo beneficente. Fez algum sucesso, mas o longo processo não terminara. “ Carinhoso foi rejeitado pela maior estrela da RCA, Francisco Alves. Chegou-se a programar uma gravação porém o escolhido Carlos Galhardo nem compareceu na data. Sobrou para o terceiro da fila, Orlando Silva então ascendendo na carreira e que com arranjo de Radamés Gnattali que afinal cumpriu as ordens do diretor Mister Evans porém o cantor estava descontente com a letra. Diante de tamanha descrença dos envolvidos qual não foi a surpresa quando o disco agradou em cheio tão logo lançado. Orlando Silva encontrou a musica de sua vida, Pixinguinha e Braguinha tiveram seu maior êxito e com centenas de gravações por mais de 70 anos e “ Carinhoso se tornou uma das músicas mais famosas da música popular brasileira repertório obrigatório em shows de música popular brasileira pelo pais.

sábado, 18 de novembro de 2017

Roberto Menescal


Roberto Menescal

O Barquinho ( Roberto Menescal - Ronaldo Boscoli)

Dia de luz, festa de sol
E o barquinho a deslizar
No macio azul do mar
Tudo é verão, o amor se faz
No barquinho pelo mar
Que desliza sem parar
Sem intenção, nossa canção
Vai saindo desse mar
E o sol
Beija o barco e luz
Dias tão azuis
Volta do mar, desmaia o sol
E o barquinho a deslizar
E a vontade de cantar
Céu tão azul, ilhas do sul
E o barquinho, coração
Deslizando na canção
Tudo isso é paz
Tudo isso traz
Uma calma de verão
E então
O barquinho vai
E a tardinha cai

O Barquinho é a música mais famosa do compositor da bossa nova capixaba radicado no Rio de Janeiro Roberto Menescal. Ele foi amigo de Nara Leão e parceiro de Ronaldo Boscoli.
A bossa nova deu otimismo. a música popular brasileira até então feita por grandes mestres mas derrotista, pessimista, desesperada, soturna e sombria. Acabou-se o tempo das boates sombrias, dos homens acabrunhados no quinto copo de uísque e das mulheres pérfidas e fatais a as grandes vilãs da música popular brasileira que arrastavam o homem á decadência e á dissolução. Abriu-se a porta das boates onde só havia gente deprimida, o sol entrou e uma nova geração de garotos atléticos e bronzeados deu uma cara nova a música popular brasileira.
Roberto Menescal nasceu em Vitória, Espírito Santo no dia 25 de outubro de 1937. Era de uma família de homens dedicados as ciência exatas sendo quase impossível o garoto fugir de uma vida envolvendo cálculos, compassos e régua T. Seu pai, Francisco de Assis Menescal era engenheiro rodoviário. Seu tio Umberto Menescal, era engenheiro civil pioneiro no uso de concreto e um dos construtores do Maracanã.. O tio de Menescal também construiu a Galeria Menescal símbolo do luxo e da elegância da classe média emergente dos anos 40. E os três irmãos do compositor, Bruno, Ricardo e Renato Menescal já eram ou seriam engenheiros ou arquitetos de onde se indicava que a vocação de Menescal era seguir a carreira da maioria de seus familiares.
A convivência com o grupo que ele articulara em torno da cantora Nara Leão e a sensação de estar participando de um movimento que ameaçava revolucionar a música brasileira fez com que Mensecal vacilasse em prosseguir o estudos. Foi Tom Jobim em 1959, que resolveu seu dilema convencendo-o a ir para a carreira musical.




As Cantoras
Roberto Menescal foi grande amigo da cantora Nara Leão que no começo de sua carreira sempre teria uma ascensão intelectual sobre ele. Foi ela que lhe falou a respeito do jazz e lhe apresentou aos discos das big bands. Foi ela que quis primeiro aprender violão contratando o veterano Patrício Teixeira para ensinar-lhe o instrumento. Menescal também tomou gosto pelo instrumento ao acompanhar as aulas de Nara assimilou de ouvido as posições do violão e decidiu tomar caminho próprio.
Foi outra cantora Sílvia Telles que o contratou como acompanhante em uma excursão que ela faria a cidades do Nordeste e na volta o convenceu a estudar com o maestro Moacir Santos para melhor explorar seu potencial.
Foi a própria Nara aliás, tirando Sílvia Telles que já estava consolidada no mercado, que primeiro personificou o que seria conhecido como cantoras da bossa nova. Além dela Astrud Gilberto, Wanda Sá, Tita, as integrantes do Quarteto em Cy, Olivia Hime, Joyce, Olivia Byington e tantas outras que enfrentaram o preconceito da época em relação a esta atividade e se tornaram cantoras profissionais. Curiosamente Menescal seria produtor musical de quase todas elas.

Os Parceiros
Com Ronaldo Boscoli, Menescal fez “ O Barquinho “, Nós e o Mar “, Ah Se eu Pudesse”, A Morte de um Deus de Sal “,e aquele que talvez tenha sido o único samba exaltação da bossa nova “ Rio “
Com Carlos Lyra , quando os dois eram mais jovens abriram uma academia de violão destinada a ensinar o instrumento a outras pessoas principalmente moças que moravam no mesmo bairro que eles. Além de Nara Leão que foi de aluna a professora entres os alunos estavam os futuros Edu Lobo, Wanda Sá, Marcos Valle, Dori Caymmi, Francis Hime. Logo, Menescal foi o grande aglutinador da primeira geração da bossa nova e não se contentou com isso; preparou também toda uma segunda geração da bossa nova.

Ah ! Se Eu Pudesse (Roberto Menescal- Ronaldo Boscoli )

Ah !
Se eu pudesse te buscar sorrindo
E lindo fosse o dia
Como um dia foi
E indo nesse lindo
Feito por nós dois
Pisando nisso tudo
Que se fez canção
Ah ! Se eu pudesse te mostrar as flores
Que cantam suas cores
Para manhã que cresce
Que cheiram no caminho
Como quem falasse
As coisas mais bonitas
Pra manhã de sol
Ah ! Se eu pudesse no fim do caminho
Encontrar nosso barquinho
E levá-lo ao mar
Ah ! Se eu pudesse
Toda a poesia
Ah ! Se eu pudesse
Sempre aquele dia
Ah ! Se eu pudesse
Te encontrar serena
Eu juro,pegaria
Sua mão pequena
E juntos vendo o mar
Dizendo aquilo tudo
Quase sem falar

Primeiro Emprego


A partir de 1964, as solicitações do mercado passaram a ser outras, inclusive extramusicais e Menescal nem sempre podia atendê-las. Não tinha a menor ideia de como fazer uma canção de protesto e quando os festivais da canção começaram a dominar o cenário em 1965, sua sensibilidade o impedia de produzir aquele tipo de música apoteótica e tonitoantre com final apocalíptico que a plateia dos festivais exigia. Com o temperamento retraído que já manifestara até mesmo entre seus amigos da bossa nova Menescal recolheu-se ainda mais na segunda metade dos anos 60 embora fosse o produtor musical da cantora mais visível do país; Elis Regina.
Mas ele acabou escolhido para exercer uma função; a de diretor artístico da mais poderosa gravadora do Brasil na época, a Philips depois Polygram.
O convite partiu de André Midani, principal executivo da empresa e seu amigo desde antes da bossa nova.
E ele era justamente o escolhido para comandar um gravadora cujos contratados no ano em que ele assumiu eram Tom Jobim, Elis Regina,Chico Buarque, Nara Leão, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa, Rita Lee e quase todos os artistas de prestígio na musica popular brasileira da época.
De prestígio na mídia, mas não necessariamente um sucesso nas vendas, Durante os quinze anos em que foi diretor artístico da Polygram , Menescal parou de compor e tocar para não constranger seus contratados e engajou-se na batalha que sua função exigia. Serviu de ponte entre os artistas e a gravadora, aprendeu a enxergar o que seria melhor para cada um e venceu seus próprios preconceitos contra artistas “ populares” como Evado Braga e Odair José porque eram as gigantescas vendas destes últimos que permitiam investir em novos valores ou nos que tinham apenas sucesso de crítica. Sob o seu comando, todo mundo saiu ganhando- os artistas, a gravadora e a própria música brasileira. Enquanto a música americana entrava em decadência nos anos 70 a música brasileira era um sucesso de criatividade e vendas.
Mas de repente o cenário musical ao qual o compositor estava acostumado sofreu uma mudança que não o agradou.
Diante desse cenário, Menescal afastou-se da indústria. Longe da musica assistiu com pesar a estagnação da música, ao crescimento da pirataria e finalmente ao declínio da industria. Por causa de sua grande amiga Nara que o convidou a acompanhá-la em seus últimos anos voltou a tocar e compor. Era o reencontro consigo mesmo.
Nos anos 90, Menescal fundou o seu próprio selo, Albatroz e voltou a trabalhar com a indústria de música e voltou a um caminho que conhece bem: a bossa nova. Como produtor independente passou a acolher qualquer projeto que tinha como meta a qualidade.
Trocou a caça submarina pela fotografia do fundo do mar e pelo cultivo de bromélias.

Amanhecendo ( Roberto Menescal- Luiz Fernando Freire)

Nas águas deste rio indo para o mar
Iremos navegando quase sem parar
E vendo tantas nuvens brancas no azul
Esquece a madrugada triste que passou
O dia está nascendo, vem olhar o sol
As aves vem voando pelo nosso amor
Repare a poesia, é tanta alegria
Não chora nunca mais
Vem , vamos amar em paz que o dia traz
Mil cores diferentes nesse amanhecer
Encantos que são vistos só por quem amou
Iremos navegando sempre sem parar
O dia está nascendo vem olhar o sol
As aves vem voando pelo nosso amor
Repare a a poesia
É tanta alegria
Não chora nunca mais
Vem, vamos amar em paz
Vem, vamos amar em paz.